5 formas de que os smart speakers podem ser postos ao serviço da sua saúde

O uso de smart speakers é cada vez mais comum. E se postos ao serviço da saúde, eles têm potencial para salvar vidas.

Nicole Wong
Nicole Wong
21 de fevereiro de 2020
5 formas de que os smart speakers podem ser postos ao serviço da sua saúde: dispositivo da Google Home.

Longe vão os dias em que os smart speakers só eram usados para passar música e responder a perguntas. Hoje, são capazes de realizar uma tal variedade de funções que já se tornaram indispensáveis em muitos lares. O assistente da Google e a Alexa da Amazon, os cérebros por detrás da maioria dos smart speakers, estão a ser utilizados de formas cada vez mais sofisticadas. Algumas destas novidades estão ligadas à saúde. Apresentamos-lhe 5 emergências médicas que o seu smart speaker pode ser, em breve, capaz de detetar — possivelmente salvando-lhe a vida.

1. Paragem Cardíaca

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, todos os dias morrem 20 mil pessoas de paragem cardíaca. A paragem cardíaca (ou morte súbita) acontece quando o coração pára subitamente de bombear sangue pelo corpo, cortando a circulação. A reanimação cardiorrespiratória precoce é essencial para aumentar as hipóteses de sobrevivência, que chega a ser o dobro ou o triplo se a intervenção for muito rápida.
De facto, a vítima perde até 10% de hipóteses de sobrevivência por cada minuto que decorre desde o colapso até ao retorno da circulação sanguínea. Ao detetarem imediatamente a emergência e notificarem as autoridades, os smart speakers podem diminuir o tempo de resposta e aumentar significativamente a probabilidade de sobrevivência da vítima. Isto seria especialmente útil para quem vive sozinho.

Como é que funciona?

Um dos sinais de paragem cardíaca iminente é a respiração agónica. Este tipo de respiração é reconhecível pelo barulho arquejante, que denuncia a dificuldade da vítima em respirar. Como é um sintoma fácil de identificar, foi classificado como biomarcador adequado para indicar as situações em que alguém está a sofrer uma paragem cardíaca. Ao sinalizarem este biomarcador, os investigadores pretendem ligar as vítimas de paragem cardíaca aos serviços de emergência ou aos socorristas mais próximos.

Nos Estados Unidos, a Universidade de Washington usou inteligência artificial para analisar 729 chamadas de emergência que incluíam barulhos distrativos, tal como o de ressonar, para se certificarem de que haveria uma quantidade mínima de falsos positivos. Apesar desta função dos smart speakers ainda estar na fase de desenvolvimento, os investigadores conseguiram programá-los para detetar a respiração agónica em 97% dos casos desde até 6 metros de distância. O sistema emitiria também um aviso de 15 ou 30 segundos antes de os serviços de emergência serem chamados, de modo a que o alerta pudesse ser cancelado em caso de falso alarme.

2. Saúde Mental

Parece difícil de acreditar que um robô ou uma máquina consiga detetar as flutuações e peculiaridades do tom de voz de cada um e associá-las a emoções particulares. No entanto, em 2017, a Amazon registou a patente de uma tecnologia que permitia à Alexa analisar a voz do utilizador e determinar se ele podia estar doente ou deprimido, oferecendo-lhe produtos baseados nesse estado físico ou emocional. A isto seguiu-se a criação de outra aplicação, em 2018, a DepressionAI, que trabalha em conjunto com a Alexa para identificar tendências suicídas no utilizador e para lhe oferecer recomendações dos profissionais de saúde mental mais próximos.

Como é que funciona?

Para ativar a Alexa, o utilizador tem de utilizar a palavra de ativação “Alexa” antes da sua ordem. A Amazon Echo guarda os ficheiros áudio de todas estas interações. Elas são examinadas e usadas para gerar um padrão da forma como a sua voz soa ao longo do tempo e para apurar a capacidade da Alexa de reconhecer a sua voz. Seria criado um algoritmo para determinar o seu estado emocional com base numa série de variáveis: timbre, firmeza e harmonia da voz. Com o algoritmo e o padrão, a Alexa seria capaz de detetar as anomalias no estado emocional do utilizador.

3. Cuidados infantis

Para além do sensor de paragem cardíaca, a Universidade de Washington também inventou um aparelho que utiliza o ruído branco e tanto acalma como monitoriza a respiração e movimento dos bebés. O objetivo destes aparelhos não é minimizar o risco de síndrome da morte súbita infantil (SMSI), mas sim perceber se as crianças estão a dormir adequadamente e vigiar a sua respiração se houver suspeitas de problemas respiratórios. Esta função também ajuda os pais recentes, que podem estar ansiosos acerca do bem-estar dos filhos, a monitorizá-lo com atenção.

Como é que funciona?

Este smart speaker é feito para ser capaz de emitir ruído branco, mas também utilizar os microfones internos para gravar os sons à sua volta. Para além disso, quando analisa o som que está a ser gravado, o algoritmo remove aquele que foi causado pelo ruído branco, deixando apenas a respiração da criança.

4. Gripe

A Amazon também já registou uma patente que permite à Alexa identificar doenças comuns com uma constipação ou uma gripe. Semelhante ao sistema que deteta discrepâncias na voz para detetar problemas de saúde mental, a Alexa também é capaz de distinguir sintomas comuns de gripe como a tosse ou os espirros. Quando alguém está constipado, há mudanças no timbre da voz. Ao detetar esta anomalia, a Alexa seria capaz de detetar a doença exata e efetuar um diagnóstico.

5. Apneia do sono

Quando conjugada com as apps certas, a Alexa podia ser capaz de vigiar o seu sono e detetar se tem apneia. Isto seria extremamente útil para quem vive sozinho e tem dificuldades em dormir sem explicação aparente. Se não for detetada, a apneia do sono pode chegar a ser fatal, já que implica respiração intermitente. Alguns dos sintomas incluem arquejar, ressonar barulhento e boca seca ao acordar.

Os smart speakers são capazes de distinguir os sintomas de apneia do sono dos de paragem cardíaca, já que têm acesso a uma vasta base de dados com barulhos de ressonar. É através destes dados que são capazes de identificar se o utilizador sofre de apneia do sono.

Conclusão:

Estas funções podem salvar vidas e têm potencial para redefinir a relação entre a tecnologia e o setor da saúde. Ainda assim, há preocupações e controvérsias associadas, nomeadamente no que diz respeito à privacidade. Pode ler o que escrevemos sobre isso aqui:

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